quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Com o poder nas mãos

Certo dia desses, não lembra quando, mas sabe como, vivia ele a doar suas expectativas para as programações do final de semana que chegara. Infelizmente, pensava consigo, amanhã seria um daqueles efusivos dias de Sábado em que teria de acordar cedo com o maior prestigio do Mundo, afinal iria abdicar um dia de descanso para uma aventura nos seus velhos horários extras de trabalho.

Sabia que ao final do mês viria uma moedinha a mais, porém só isso lhe serviria de bom agrado, em detrimento de tantas outras desvantagens. Decidiu não se estressar com isso, sem então se apressar com as coisas: primeiramente as obrigações e depois a diversão - nunca haveria de imaginar em toda sua vida que fosse pensar isso.

Então, como planejado noutrora, levantou-se e decidiu por ir trabalhar, convicto de que aquele seria mais um dia comum de sua vida juvenizada. Chegou ao recinto no horário programado e colocou-se ao posto que lhe foi determinado, local um tanto calmo e confortável para as olheiras que perseguiam da festa na noite passada.

Durante sua expedição pelo selvagem devaneio das atribuições, percebeu a entrada de uma mulher na ante-sala pela qual se postava. Definitivamente era uma mulher de grande assimetria corporal, quadris largos e certa descompostura no jeito de andar, não sabia se pelo salto alto ou pela propriamente dita assimetria.

Enfim, concentrou-se tanto na análise da compostura alheia, que não percebeu a entrada daquela mulher na sala sem sua devida permissão. Esta, ao tempo que ouviu um chamado alheio e, sem se importar com o objetivo de tal, exibiu seu verdadeiro caráter, que até então mostrou-se integralmente parecido com sua descompostura. Para surpresa de todos que ali se encontravam, a mulher, de forma grosseira, exibiu sua silhueta de chefe e disse que era a gerente geral da empresa a qual todos ali trabalhavam e não quis ouvir ao menos uma explicação do rapaz que queria apenas saber seu nome para anotar no caderno de freqüência, até então o trabalho a qual foi destinado.

Após o incidente, ficou a pensar no que lhe havia acontecido e repugnou-se com todos os gerentes que possam existir no Mundo. Será que todos eram tão ásperos quanto aquela que acabara de conhecer? Imaginou que devem existir muitas pessoas que gostam de menosprezar seus “subordinados“, apenas por angariarem um posto mais elevado. Muitos se acham superiores, mas não se incubem ao trabalho de pensar que todos são Seres Humanos e em nada diferem uns dos outros. O problema está no “valor monetário” que rege nossa vida e nos mostra o quanto o homem é tão mesquinho e egoísta.

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