quinta-feira, 1 de abril de 2010

O que sentes então?

A íntima satisfação de carregar tamanho sentimento em seu peito fazia-o um dos homens mais felizes dentre tantos que existam no Planeta. Lembrava com carinho do momento que tanto esperara. Uma ocasião especial que havia passado a poucos minutos atrás, mas que pareciam anos ou décadas de atraso. Parou então, e após um leve suspiro, refletiu sobre suas tantas aflições, pois beijar a mulher que tanto amava era perigoso ao ponto de pensar que se tratava de um sonho. Sentiu um leve aperto nas entranhas e escutou uma voz estranha, profunda como um abismo dentro de seus pensamentos.
- Não sejas tolo. Não estás a sonhar, lembras exatamente do que permitiu tua realidade.
- Quem está ai? Perguntou então com convicção.
- Não reconheces tua própria inconsciência, teu ego obstante. Aquele que te exime de toda e qualquer dúvida, mesmo que no obscuro dos pensamentos.

Foi um momento intenso aquele. Será que estava tão louco ao ponto de falar com si próprio. O que se passava desde então? E, sem ao menos perder tempo, indagou sobre tal inquietação.
- Como posso falar com minha própria mente?
- Não te enganes. Tua mente nada fala. Apenas sou tuas idéias mais distantes. A distinção entre o certo e o errado, o conselho que pouco pensas em momentos de puro êxtase.

Ainda assim, era difícil entender, mas propusera-se a aceitar que não estava a enlouquecer e, sem perder tempo, eximiu-se de qualquer vergonha e indagou sobre suas aflições.
- Nem tentes dar início a tuas inquietações, conheço cada problema que perpassa sobre teu corpo, conheço cada lágrima que sai de teus olhos e, como neste prazeroso momento, conheço cada suspiro que dás por tua felicidade.
- Mas esse é o problema! - Afirmou com certa restrição – Sofro por não saber o que realmente sinto. O que me dizes então?
- Não esperes de mim a solução, pois se estás angustiado, também haverei de estar. Mas um conselho dar-te-ei. Reflita sobre o que te traz angústia e, sem inseguridade, abra teu coração.

Agora estava a mercê da incredulidade. Como haveria de abrir seu coração, um mero órgão que só fazia bombear sangue para todo o seu corpo e nada significava no solucionar daquela angústia amorosa.
- Pensava que a mente controlava minhas emoções. Como me pedes para abrir meu coração? Perguntou convictamente.
- Estás a se enganar novamente. Tua mente é teu instrumento de decisões, o estímulo de teus ideais. Porém, se um sentimento tão complexo te aflige, saibas que teu coração é o único que pode te mostrar o verdadeiro sentido dele. Nada está tão além do que a pura sensação de estares a amar.



Post Scriptium: Ainda que os cientistas afirmem que nossas emoções vêm de controles encefálicos complexos (ou o que quer que seja), continuo a achar que a mente nada sabe.Nada precede aquilo que o coração tem a dizer sobre o amor.