quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Princípios do cotidiano

Já passam das 22h. Pelo menos é o que mostra o rebuscado relógio de tantas jornadas que, deveras desgastado, faz-se sórdido em trabalhar para conseguir suportar seus enormes ponteiros. E mesmo assim, após um dia totalmente incomum aos seus olhos, ele chega em casa de forma tal que nem consegue pensar nas suas ações já tão costumeiramente mecanizadas. Senta-se em sua cama sentindo um súbito alivio, não por estar cansado, mas por saber que aquele momento é precioso e deve ser aproveitado. De repente pára, olha ao redor e pensa, mais pensa bastante, como se estivesse num límpido rasgar do céu, onde as nuvens estariam ao seu alcance e a Lua, linda como sempre, estaria a marcar enormes suspiros e sensações de conforto eterno, ou prazer ínfimo.

Infelizmente, ao voltar à realidade, percebe que a vida não é tão bonita como dizem os grandes sábios (do poder), mas entende que viver é ato de buscar as possibilidades do prazer de estar no Mundo. E ali fica: pensativo, imaginando o dia de amanhã e, mesmo que o pôr-do-sol não seja o mesmo de outras vezes, acredita que cada dia é um pequeno pedaço do seu viver, assim como os pedaços de uma deliciosa pizza.

Por falar em pizza, é chegado o tempo de se lembrar da fome. Não tinha dinheiro suficiente para seu auto-sustento, mas isso é algo fácil de superar, pois seus governantes já prometeram pagar seu salário, mesmo a tanto tempo atrasado. Todavia, não é momento de se desesperar. Um pouco de esperança é o que vale para enfrentar tudo e mais um pouco.

Por fim, reflete sobre todas as bênçãos que Deus lhe proporcionou durante seu dia e agradece fervorosamente por todas as oportunidades e mais ainda, por todos os fracassos. Pega o os pedaços de algo maltrapilho a qual chama de travesseiro e encosta sua cabeça dolorida pela fadiga mental diária. Fecha os olhos lentamente e dormi em questão de segundos. Esse é o melhor momento de seu dia, onde pode repousar pelos pastos horizontais e desejar fazer tudo que sempre quis. E mesmo sonhando, se contenta em descobrir que é mais um dentre tantos outros milhões.



Post Scriptum: Prezar pelos trabalhadores dessa imensidão chamada Brasil é o mínimo que devemos fazer (ou pelo menos tentar).

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